Representação feminina na política: desafios e caminhos em Feira de Santana

As mulheres são maioria na sociedade e no eleitorado brasileiro — 52% dos votos — mas continuam minoria nos espaços de decisão. Em 2022, apenas 18% dos parlamentares eleitos eram mulheres. Entre 2016 e 2022, elas representaram cerca de 33% das candidaturas, mas apenas 15% das eleitas.
Em Feira de Santana, esse cenário se repete: a Câmara Municipal tem 21 cadeiras, mas apenas algumas são ocupadas por mulheres, e somente uma vez uma mulher — Eremita Mota — presidiu a Casa. Nos conselhos municipais de áreas estratégicas, como saúde, educação e cultura, a participação feminina raramente ultrapassa 20% dos assentos.
Por que os números ainda são baixos?
Sobrecarga doméstica: muitas mulheres acumulam trabalho e cuidados familiares, o que reduz tempo para a vida pública.
Financiamento desigual: mesmo com cotas de recursos, candidaturas femininas nem sempre recebem apoio proporcional.
Violência política de gênero: ataques e deslegitimação afastam mulheres dos espaços de poder.
Cursos limitados: partidos oferecem formação, mas muitas vezes focada apenas em campanhas, sem preparar para conselhos e cargos técnicos.
Barreiras culturais: estereótipos ainda reforçam que política é “lugar de homens”.
Caminhos possíveis
Em vez de apontar falhas, é hora de somar esforços e complementar iniciativas já existentes:
Programa Mulheres nos Conselhos: cotas mínimas de participação feminina em conselhos municipais.
Escola Municipal de Liderança Feminina: formação contínua em gestão pública e cidadania.
Observatório da Representatividade: relatórios anuais sobre presença feminina em cargos públicos.
Mentoria intergeracional: conectar lideranças experientes com jovens mulheres.
Reflexão final
Esses números não devem ser vistos como crítica às instituições, mas como convite à reflexão. Feira de Santana já conta com iniciativas importantes de formação política feminina promovidas por partidos e movimentos. Agora, é hora de ampliar esse alcance com políticas públicas municipais que garantam que mais mulheres ocupem conselhos e espaços de decisão.
A representação feminina não é apenas uma questão de justiça — é uma questão de eficiência democrática. Quanto mais diversas forem as vozes, melhores serão as políticas públicas para toda a população.






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